Macapá, 20 de janeiro de 2026
Valter Gama de Avelar[1]
[1] Professor/Pesquisador do PPGEO/UNIFAP; Coordenador do Grupo de Pesquisa GEOdiversidade do Amapá/Pará (GPGEO-AP/PA). Coordenador dos projetos: Projeto Inventariação da GEOdiversidade do Amapá/Pará (PIGEO-AP/PA); Projeto Áreas de Riscos Naturais-Antrópicos e Prevenção (PARNAP); Projeto GEOciências Nas Escolas do Amapá/Pará (PGEO-AP/PA). https://lattes.cnpq.br/4033627255770272. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7975-390X. E-mail: valtergamaavelar@gmail.br.
O dia 20 de janeiro de 2026, nasceu com ares de celebração carregado de uma energia que conecta o passado ao presente. Enquanto os tambores e as preces ecoavam em honra a São Sebastião lá na minha querida Cachoeira do Arari, aqui em Macapá, o meu coração batia no mesmo compasso festivo. Não era apenas uma terça-feira comum; era uma data emblemática para mim, abençoada pelo santo padroeiro, e o cenário não poderia ser mais nobre: a Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda.

Foto: Valter Avelar (20/01/2026)
Fui ali não apenas como visitante, mas como um pai que leva um filho para conhecer sua nova casa. O “filho”, neste caso, era o meu livro, “A Viagem do Seixo Falante”. E que recepção calorosa nos aguardava! Agradeço imensamente a acolhida fidalga do anfitrião, Professor Paulo Tarso, que abriu as portas deste templo do saber com um sorriso largo. A atmosfera tornou-se ainda mais rica com as presenças das professoras Lígia Santos e Núbia Milane, e do professor Dilson Leão. Não foi uma simples entrega protocolar; foi um abraço coletivo à literatura amapaense.

Foto: Valter Avelar (20/01/2026)
O ponto alto do nosso encontro, contudo, não foi o aperto de mãos, mas a contação da história que precede a história. Como registrado em vídeo, pude partilhar com eles a gênese desta obra. Relembrei aquela manhã de sábado no jardim, ao lado do meu filho Diogo, quando uma faísca saída de um seixo de quartzo acendeu não só o fogo, mas a imaginação. Narrei como a GEOlogia se fez poesia, transformando a dureza 7 do quartzo em uma narrativa leve para as crianças, e como o ilustrador — um ex-aluno brilhante — deu rosto e cor ao nosso pequeno herói mineral. O brilho no olhar dos professores ao ouvirem sobre o “Dioguito e seu Seixito: A Origem de Tudo” foi o melhor retorno que eu poderia ter.

Fotos extraídas do vídeo produzido pelo Prof. Paulo Tarso (20/01/2026)
Mas, confesso, uma emoção particular me tomou ao ver o livro encontrar o seu lugar de repouso (ou de espera, melhor dizendo). Ao ser colocado na prateleira da seção infantil, “A Viagem do Seixo Falante” não ficou sozinho. Olhei para os lados e sorri com a vizinhança: à esquerda, “Pescadores de Sonhos”, de Angela de Carvalho e Mario Baratta; à direita, “Na Arca às Oito”, de Ulrich Hub. Pensei comigo: “Meu pequeno seixo está muito bem acompanhado”. Entre sonhos pescados e aventuras na arca, ele está ali, pronto e ávido para conversar com seus futuros leitores infanto-juvenis.

Foto: profa. Núbia Milane (20/01/2026)
O encontro foi norteado por um bate-papo delicioso, leve e instrutivo, daqueles que a gente não vê o tempo passar. Saí da Biblioteca Elcy Lacerda com a alma lavada e a certeza de que, neste dia de São Sebastião, a flecha acertou o alvo: o coração da educação e da cultura do nosso estado. Que acerte também as mentes de nossos leitores.

Fotos: Valter Avelar (20/01/2026)
Agradeço a todos que fizeram parte deste novo capítulo escrito por influência do SEIXO FALANTE. O seixo agora segue sua viagem, e eu, sigo com a gratidão de quem sabe que contar histórias é a forma mais bonita de eternizar a vida.
Prof. Dr. Valter Gama de Avelar (coordenador do Grupo de Pesquisa GEOdiversidade do Amapá/Pará – GPGEO-AP/PA)
